O azul celeste do enigma na noite emudecido

segunda-feira, outubro 19, 2009

Espaço Clarice - Fãs.

Sobre o texto:

Arranjo: Keidy Costa
Contato: http://keidylee.blogspot.com
A poesia "O azul celeste do enigma na noite emudecido" é um arranjo de trechos das obras de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Vladmir Maiakovski e Affonso Romano de Sant'Anna.

Vê como tudo agora emudeceu,
que tributo de estrelas a noite impôs ao céu
em horas como esta eu me ergo e converso
com os séculos a história do universo.
Mas de que me vale ter casa, parentes, vida?
Sou a terra que estremece? Ou a multidão que avança?
Ó solidão minha, ó limites da criatura!
Meu nome está em mim? No passado ou no futuro?
Ninguém responde. E o fogo avança para meu pequeno enigma. Arranjo
Cheio de "eu sei, eu sei",
de promessa de fidelidade e de apoio mútuo
numa união cerrada e quase má;
uma e simples, nenhum movimento a simbolizava,
era o mistério aceito:
eu gostaria de ser aquele pequeno inseto de olhos luminosos
que a mulher descobriu à noite no gramado
para quem o escuro é o melhor dos mundos.
Na ver¬dade, porém ela não sabia o que lhe sucedia
e seu único modo de sabê-lo era vivendo-o.
Nos telhados os pardais secos.
Não sei se é porque o céu é azul celeste
e a terra, amante, me estende as mãos ardentes
nas calçadas pisadas de minha alma
passadas de loucos estalam calcâneo de frases ásperas.
"Eu vos amo, pessoas", era frase impossível.
A humanidade lhe era como morte eterna
que no entanto não tivesse o alívio de enfim morrer.
Onde forcas esganam cidades
e em nós de nuvens coagulam
pescoço de torres oblíquas e
nada, nada morria na tarde enxuta,
nada apodrecia.
E às seis horas da tarde fazia meio-dia.
Dor? Nenhuma. Nenhum sinal de lágrima e nenhum suor.
Sal nenhum. Só uma doçura pesada:
E o Deus? Não.
Nem mesmo a angústia.
O peito vazio, sem contração.
Não havia grito.

Fontes utilizadas:

*Trecho de “Reparei que a poeira se misturava às nuvens” de Cecília Meireles.
*Trecho de “Fragmentos”, do livro “Maiakovski – Poemas” de Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Boris Schnnaideman.
*Trecho de “A Origem da Primavera ou A Morte Necessária em Pleno Dia”, retirado do livro “Uma aprendizagem ou o Livro dos prazeres” de Clarice Lispector.
*Trecho do livro “O Lustre” de Clarice Lispector.
*Trecho de “Desejos” de Affonso Romano de Sant’Anna, poema recitado na voz de Tônia Carrero no CD “Affonso Romano de Sant'Anna por Tônia Carrero”.

Aniversário do Blog!

domingo, outubro 04, 2009

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Releitura do texto "Silêncio", de Clarice Lispector

sábado, agosto 01, 2009

Espaço Clarice - Fãs.

Sobre o texto:

Autoria: Fá Fioretti
Contato: http://devoradoradehistorias.blogspot.com/

É estranho como não se fala sobre nosso silêncio interior.
Temos um misto de vergonha e medo, porque ele é inexplicável e acreditamos que o outro não nos vai entender, pois, mesmo que também o tenha, não admitirá.
Mas, chega o momento em que se aceita o silêncio como o destino final da jornada vivida e, amparado pela coragem, se entra nele e vive o silêncio como se tudo vivido antes fosse um ensaio para o que se viveria agora.
O silêncio total, o vasto silêncio de quando nos deixamos reconhecer, só chega quando nada mais pode atrapalhá-lo e ele, introspectivo, não sente temor de se mostrar e se assumir como realmente é.
Ocorre o medo de ter o desabrochar, despertado pelo silêncio, interrompido por algum som desavisado que se propaga no mundo exterior, mas não repercute em nosso interior.
E então o silêncio chega, aquele silêncio que, nas horas de maior ardor, imaginamos como o amante proibido e que se revela como nosso algoz, pois não chega para a troca de confidências e sim para nos fazer calar, enquanto aperta sem piedade nossas feridas.
Mas, o dia raiará novamente e o silêncio irá dormir, e sua passagem pela noite será apenas uma lembrança a espiá-lo pela fresta de uma memória sentida, do tempo passado em comunicação aterrorizadora consigo mesmo. E, nesse momento, o silêncio será mais um fantasma dentre tantos na vida.

Homenagem à Clarice Lispector

terça-feira, julho 28, 2009

Espaço Clarice - Fãs.

Sobre o texto:

Autoria: Rodrigo Mendes Rosa
Contato: http://reflexosemreflexoes.blogspot.com

Essa mulher que come palavras com colher
e segura nas frases com as mãos!
Não lhe ensinaram que o sentido pertence ao dicionário?
Vocábulos são átomos sujeitos a regras,
gramática é a Física da literatura.
Não se pode sair assim juntando coisas.
É feio.
Corre-se o risco de inventar algo novo,
quem sabe perigoso e mortal.
Experimentos com palavras já provocaram reação em cadeia,
é preciso ter cuidado.
Ou pior,
nesse tempo de piratas e sequestro relâmpago,
imaginem se capturam e exigem resgate por alguma palavra estimada?
Por isso eu sempre acompanho minhas palavras
quando elas vão passear no parque.
Não convém deixá-las sozinhas um segundo sequer.
De noite eu as cubro e canto belas canções.
Sabe palavra só pega no sono acompanhada.
Graças a Clarice descobri esse hábitos estranhos das palavras.
Hoje eu também não as como com garfo e faca,
afinal pra participar desse banquete basta ter boca.

Espaço Clarice - Fãs!

terça-feira, julho 28, 2009

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quinta-feira, julho 23, 2009

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"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou. Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho." (C.L.)