Resultado - Concurso Cultural Clarice Lispector: de escrita e vida

sábado, janeiro 29, 2011

Vencedores:

1° lugar - Título: "A Descoberta de uma alma".
Autora: Bruna Mendes Roza Rodrigues.

2° lugar - Título: "Clarice em minha vida".
Autora: Nara França.

3° lugar - Título: "Clarice Lispector: a diva na vida de uma medíocre mortal".
Autora: Lindiane Cardoso.

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Resultado – Seu link no blog

sábado, janeiro 15, 2011

Caros Clariceanos,

O Blog agradece a todos pelo envio dos links. Todos eles foram visitados e revisitados.

Resultado final:


http://nas-entrelinhaas.blogspot.com [visite]
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Blog Clarice Lispector.

Por Enquanto (A Via Crucis do Corpo)

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Como ele não tinha nada o que fazer, foi fazer pipi. E depois ficou a zero mesmo. Viver tem dessas coisas: de vez em quando se fica a zero. E tudo isso é por enquanto. Enquanto se vive.
Hoje me telefonou uma moça chorando, dizendo que seu pai morrera. E assim: sem mais nem menos.
Um dos meus filhos está fora do Brasil, o outro veio almoçar comigo. A carne estava tão dura que mal se podia mastigar. Mas bebemos um vinho rosé gelado. E conversamos. Eu tinha pedido para ele não sucumbir à imposição do comércio que explora o dia das mães. Ele fez o que pedi: não me deu nada. Ou melhor me deu tudo: a sua presença.
Trabalhei o dia inteiro, são dez para as seis. O telefone não toca. Estou sozinha.
Sozinha no mundo e no espaço. E quando telefono, o telefone chama e ninguém atende. Ou dizem: está dormindo. A questão é saber agüentar. Pois a coisa é assim mesmo. Às vezes não se tem nada a fazer e então se faz pipi.
Mas se Deus nos fez assim, que assim sejamos. De mãos abanando. Sem assunto. Sexta-feira de noite fui a uma festa, eu nem sabia que era o aniversário do meu amigo, sua mulher não me dissera.
Tinha muita gente. Notei que muitas pessoas se sentiam pouco à vontade.
Que faço? telefono a mim mesma? Vai dar um triste sinal de ocupado, eu sei, uma vez já liguei distraída para o meu próprio número. Como acordo quem está dormindo? como chamo quem eu quero chamar? o que fazer? Nada: porque é domingo e até Deus descansou. Mas eu trabalhei sozinha o dia inteiro.
Mas agora quem estava dormindo já acordou e vem me ver às oito horas. São seis e cinco.
Estamos no chamado "veranico de maio": grande calor. Meus dedos doem de tanto eu bater à máquina. Com a ponta dos dedos não se brinca. É pela ponta dos dedos que se recebem os fluidos.
Eu devia ter me oferecido para ir ao enterro do pai da moça? A morte seria hoje demais para mim. Já sei o que vou fazer: vou comer. Depois eu volto. Fui à cozinha, a cozinheira por acaso não está de folga e vai esquentar comida para mim. Minha cozinheira é enorme de gorda: pesa noventa quilos. Noventa quilos de insegurança, noventa quilos de medo. Tenho vontade de beijar seu rosto preto e liso mas ela não entenderia. Voltei à máquina enquanto ela esquentava a comida. Descobri que estou morrendo de fome. Mal posso esperar que ela me chame.
Ah, já sei o que vou fazer: vou mudar de roupa. Depois eu como, e depois volto à máquina. Até já.
Já comi. Estava ótimo. Tomei um pouco de rosé. Agora vou tomar um café. E refrigerar a sala: no Brasil ar refrigerado não é um luxo, é uma necessidade. Sobretudo para pessoa que, como eu, sofre demais com o calor. São seis e meia. Liguei meu rádio de pilha. Para a Ministério de Educação. Mas que música triste! não é preciso ser triste para ser bem-educado. Vou convidar Chico Buarque, Tom Jobim e Caetano Veloso e que cada um traga a sua viola. Quero alegria, a melancolia me mata aos poucos.
Quando a gente começa a se perguntar: para quê? então as coisas não vão bem. E eu estou me perguntando para quê. Mas bem sei que é apenas "por enquanto". São vinte para as sete. E para que é que são vinte para as sete? Nesse intervalo dei um telefonema e, para o meu gáudio, já são dez para as sete. Nunca na vida eu disse essa coisa de "para o meu gáudio". É muito esquisito. De vez em quando eu fico meio machadiana. Por falar em Machado de Assis, estou com saudade dele. Parece mentira mas não tenho nenhum livro dele em minha estante. José de Alencar, eu nem me lembro se li alguma vez.
Estou com saudade. Saudade de meus filhos, sim, carne de minha carne. Carne fraca e eu não li todos os livros. La chair est triste. Mas a gente fuma e melhora logo. São cinco para as sete. Se me descuido, morro. É muito fácil. É uma questão do relógio parar. Faltam três minutos para as sete. Ligo ou não ligo a televisão? Mas é que é tão chato ver televisão sozinha. Mas finalmente resolvi e vou ligar a televisão. A gente morre às vezes.

Obras disponíveis no blog

domingo, janeiro 09, 2011

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Clique nos títulos para ler trechos:

  • Minhas Queridas (2007)

  • Como Nasceram as Estrelas (Infantil 1987)

  • A Descoberta do Mundo (Crônicas 1984)

  • A Bela e a Fera (Contos 1979)

  • Quase de Verdade (Infantil 1978)

  • Um Sopro de Vida (Romance 1978)

  • Para Não Esquecer (Crônicas 1978)

  • A Hora da Estrela (Romance 1977)

  • A Vida Íntima de Laura (Infantil 1974)

  • A Via Crucis do Corpo (Contos 1974)

  • Onde Estivestes de Noite (Contos 1974)

  • Água Viva (Romance 1973)

  • Felicidade Clandestina (Contos 1971)

  • Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (Romance 1969)

  • A Mulher que Matou os Peixes (Infantil 1968)

  • O Mistério do Coelho Pensante (Infantil 1967)

  • A Paixão Segundo G.H. (Romance 1964)

  • A Legião Estrangeira (Contos 1964)

  • A Maçã no Escuro (Romance 1961)

  • Laços de Família (Contos 1960)

  • A Cidade Sitiada (Romance 1949)

  • O Lustre (Romance 1946)

  • Perto do Coração Selvagem (Romance 1943)


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    Seu link no Blog Clarice Lispector

    quinta-feira, janeiro 06, 2011

    Na barra lateral do Blog Clarice Lispector há um espaço, denominado “visite”, destinado a divulgar blogs e que é preenchida por dez links.
    Envie o link de seu espaço como comentário nessa postagem para que concorra a uma das quatro vagas disponíveis.

    Critério de escolha:
    - Relação do conteúdo do seu blog com o do Blog Clarice Lispector.

    Resultado:
    - Dia 15 de janeiro de 2011.

    Boa sorte!

    Participe do Concurso Cultural “Clarice Lispector: de escrita e vida”.

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