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Entrevista com a atriz Rita Elmôr, que interpreta Clarice em espetáculo teatral

Claure comunicação:  Como começou a história com a representação da Clarice Lispector? Rita Elmôr:  Começou quando eu tinha 23 anos e ganhei de presente dois livros de Clarice, "Perto do Coração Selvagem” e "A Descoberta do Mundo". Quando comecei a ler, me senti imediatamente íntima dela. Parecia que eu estava sendo apresentada a uma amiga que se tornaria uma amiga-irmã. Sabe aquela sensação boa de encontrar alguém que enxerga as coisas de um jeito parecido com o seu? Agora imagine essa sensação quando você se sente péssima justamente por achar que você enxerga as coisas de um jeito bem esquisito. Encontrar uma igual foi um oásis. Desde criança tenho um sentimento de inadequação, que persistiu na fase adulta. Por causa do meu jeito desencaixado, eu tentava ser do jeito dos outros, mas sempre dava errado, era patético e eu me sentia ainda pior. Entrar em contato com a obra da Clarice me ajudou muito. Continuei a ser desencaixada, mas uma desencaixada que se aceit...

Espetáculo sobre Clarice Lispector tem estreia nacional em Curitiba

Peça com atriz Rita Elmôr será apresentada no Teatro Bom Jesus nos dias 7 e 8 de novembro. "Clarice e eu. O mundo não é chato" é uma adaptação para o teatro de textos de Clarice Lispector, feita por Rita Elmôr. Textos da atriz também são inseridos ao longo da peça. Ela conta como iniciou a carreira interpretando Clarice Lispector em um monólogo, destacando o fato das fotos da personagem serem frequentemente confundidas com as fotos da escritora, chegando mesmo a estampar capas de revistas especializadas em literatura e a figurar em jornais internacionais. De forma quase imperceptível, o texto da atriz funde-se aos textos da escritora, e o fato inusitado da imagem de uma ser confundida com a imagem da outra se reproduz no plano linguístico. A adaptação priorizou os textos em que Clarice revela, com seu humor inteligente, maneiras mais criativas de levar a vida. O recorte escolhido foi o do comportamento humano diante de situações constrangedoras e engraçadas. A peça f...

Blog Oficial Clarice Lispector: 1.500.000,00 visitas

.   1.500.000,00 visitas. Blog Oficial Clarice Lispector. Pelo doce e inocente puro gosto pela literatura eis que de repente deparei-me com o grande peso da responsabilidade, não menos pura, contudo. Há 8 anos introjetei a necessidade de algumas palavras diárias de Clarice Lispector. Inesperadamente, e para minha felicidade, tal introjeção se tornou a necessidade de um assombroso número de pessoas e da Editora Rocco, que apoiou o projeto... E sem que eu percebesse surgia a página mais visitada do mundo sobre “flor de lis”, em nome comum mesmo, tal como Clarice se autodenominava... Estranho, não? Aliás, que palavra será mais bonita que “estranho”?

No enterro de Clarice Lispector, 200 pessoas (reportagem)

Duzentas pessoas compareceram ao enterro da escritora Clarice Lispector no Cemitério Comunal Israelita, no Caju (RIO). Seu corpo, velado desde sexta-feira no oratório do cemitério, foi colocado no túmulo 123, da fila G. depois de ter sido purificado por quatro mulheres da Irmandade Sagrada "Hevra Kadisha", de acordo com o ritual judaico. O caixão fechado e coberto apenas por um manto negro com uma estrela de David, bordada, foi visitado pelos escritores Rubem Braga, Fernando Sabino, Nélida Piñon e José Rubem Fonseca, além do embaixador Vasco Leitão da Cunha. Clarice, um enterro simples O corpo de Clarice Lispector ficou no cemitério Comunal Israelita Numa cerimonia simples, sem discursos, na qual a família chegou até a dispensar a presença do grão-rabino Henrique Lemle, substituido pelo cantor-mór Joseph Aronsohn, a escritora e jornalista Clarice Lispector - ela completaria anteontem 53 anos de idade - foi sepultada ontem no Cemitério Comunal Israelita, no Caju. Ce...

Retrato de Clarice Lispector, por Carlos Scliar

"Das vantagens de ser bobo", por Aracy Balabanian

"Das vantagens de ser bobo", de Clarice Lispector, recitado por por Aracy Balabanian.

A Maçã no Escuro

Segunda parte: Nascimento do herói Cinco Com o decorrer dos dias, percebendo-o mais presente, as mulheres confundiram com estabilidade o ar moroso que Mar¬tim tomara e que vinha do fato de ele treinar instante por instante, com a cara estúpida de homem pensando, com a pa¬ciência dos sapateiros da gravura, um modo de abrir caminho. Certa então de que enfim receberia a resposta tranqüilizadora, Ermelinda perguntou-lhe com a segurança com que uma mulher estabelece domínios para se instalar com filhos: —  Quanto tempo você fica? —  Não sei, respondeu ele. De novo Ermelinda se assustou. E como se seu estremeci¬mento se tivesse comunicado impalpável para Vitória, ambas mais ativas começaram a agir como se o tempo estivesse aca¬bando, Vitória se impacientava com as valas que mal progre¬diam, vigiava-o a cavalo. E um novo ritmo se sentiu no sítio. E Martim? Martim trabalhava — olhava e trabalhava, pas-sando o mundo a limpo. Seu pensamento rude continuava no entanto a se ancorar o...