Obras de Clarice Lispector aproximam crianças do universo da leitura

domingo, setembro 16, 2018

A partir desse caminho para o pensar, o projeto Clarice busca aproximar as crianças de um colégio de Orlândia, no interior de São Paulo, ao universo da leitura por meio das obras da escritora e jornalista considerada por críticos literários uma das mais importantes do século 20. “A utilização dos textos de Clarice promove uma aproximação com as emoções e as paixões”, diz Fabio Scorsolini-Comin, professor da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP), um dos organizadores do projeto, ao lado do professor Adriano Alves da Silva, do Colégio Logos.

Baseados em temas como o ciclo da vida, da natureza, das espécies e das relações interpessoais, sempre presentes nas obras da escritora, os organizadores buscam promover a reflexão das emoções do ponto de vista psicológico e filosófico para que isso possa repercutir na vida dos alunos.

“As obras da autora são mais conhecidas pelo público adulto. Entretanto, seus  livros infantis abordam uma certa ‘humanidade’ nos animais, o que leva a uma aproximação com uma vida mais instintiva e básica, ligada às paixões e às emoções que circundam o universo infantil”, conta Scorsolini-Comin.

Do conto à escrita
O projeto Clarice foi criado este ano e está sendo desenvolvido ao longo do segundo semestre com crianças de 9 e 10 anos matriculadas no quinto ano do ensino fundamental. São três fases, a primeira é de contação de histórias, com uma obra a cada semana. Nessa fase as obras utilizadas são: O mistério do coelho pensante, A mulher que matou os peixes, A vida íntima de Laura, Quase verdade e Como nasceram as estrelas. Alguns contos como Felicidade clandestina e Cem anos de perdão também estão sendo trabalhados.

Na segunda fase, haverá discussão a respeito das obras da primeira fase. “Nesse momento, a ideia é relacionar alguns elementos encontrados na narrativa com a vida dos alunos”, explica o professor. Na terceira e última fase, ocorre a oficina de produção de textos. A cada semana, as crianças são convidadas a produzir um texto diferente a partir da obra trabalhada, como contos, cartas e bilhetes. Ao final, os coordenadores querem publicar um livro com os textos criados pelos alunos e produzir artigos científicos.

Além de Scorsolini-Comin, o projeto também é coordenado pelo professor de História e Filosofia Adriano Alves da Silva, do Colégio Logos.

Fonte e reportagem completa: Joice Soares.

Blog com nova roupagem

domingo, julho 30, 2017

Encerramos nosso trabalho na nova roupagem do Blog. A navegação se encontra novamente ativa!


"Faze com que eu sinta que a morte não existe porque na verdade já estamos na eternidade, faze com que eu sinta que amar é não morrer, que a entrega de si mesmo não significa a morte, faze com que eu sinta uma alegria modesta e diária, faze com que eu não Te indague demais, porque a resposta seria tão misteriosa quanto a pergunta, faze com que me lembre de que também não há explicação porque um filho quer o beijo de sua mãe e no entanto ele quer e no entanto o beijo é perfeito, faze com que eu receba o mundo sem receio, pois para esse mundo incompreensível eu fui criada e eu mesma também incompreensível, então é que há uma conexão entre esse mistério do mundo e o nosso, mas essa conexão não é clara para nós enquanto quisermos entendê-la, abençoa-me para que eu viva com alegria o pão que eu como, o sono que durmo, faze com que eu tenha caridade por mim mesma pois senão não poderei sentir que Deus me amou, faze com que eu perca o pudor de desejar que na hora de minha morte haja uma mão humana amada para apertar a minha, amém".

Clarice Lispector, em Luminescência, texto da obra "Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres" (1969).

Acervo

quarta-feira, julho 05, 2017

Explore nosso acervo! Fique por dentro do maior blog do mundo sobre Clarice Lispector!

Deixo um trecho de Um Sopro de Vida, livro lançado em 1978.

Deus é uma coisa que se respira. Eu não tenho fé em Deus. A sorte é às vezes não ter fé. Pois assim um dia poderá ter A Grande Surpresa dos que não esperam milagres. Parece, aliás, que milagres acon­tecem como maná do céu sobretudo para quem em nada crê. E essas pessoas nem notam que foram privi­legiadas. Cansei de pedir. Para que o milagre aconteça é preciso não esperá-lo. Nada mais quero. Eu sou a noite e Ele é o vaga-lume. Meu tema de vida é o nada.

Em breve um novo layout em nosso blog!

Clarice Lispector ganha estátua no Leme, a 1ª de uma artista mulher no Rio

sábado, maio 14, 2016

Estátua foi instalada neste sábado (14) na Pedra do Leme, orla da zona sul



Tendo como paisagem a orla de Copacabana, o morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea, a escritora Clarice Lispector passa a ser homenageada a partir deste sábado (14). A estátua da escritora, projeto acalentado desde 2013, já ocupa a mureta da Pedra do Leme, com a expectativa de atrair ações culturais.

Fonte: R7

95 anos de Clarice Lispector

quinta-feira, dezembro 10, 2015

Faz hoje 95 anos do nascimento de Clarice Lispector, ocorrido numa aldeia ucraniana; ela recebeu o nome de Haia Lispector (modificado para "Clarice" quando a família chegou ao Brasil, em 1922).

Não consigo escolher somente um texto para comemorar esta data, mas este trecho está entre os meus favoritos:

"Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. Trata-se de um cavalo preto e lustroso que apesar de inteiramente selvagem – pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela – apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. O seu focinho é úmido e fresco. Eu beijo o seu focinho. Quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. A menos que ele escolha outra casa e que esta casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. Aviso que o cavalo não tem nome. Basta chamá-lo e acerta-se logo com o nome. Ou não se acerta, mas uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. Se ele fareja e sente que um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e vai. Aviso também que não se deve temer o seu relinchar: as pessoas enganam-se e pensam que são elas mesmas que estão a relinchar de prazer ou de cólera, as pessoas assustam-se com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez".

Fonte: Uma aprendizagem ou o Livro dos Prazeres (1969).