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Deus

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Mesmo para os descrentes há a pergunta duvidosa: e depois da morte? Mesmo para os descrentes há o instante de desespero: que Deus me ajude. Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando da minha própria força. Sou forte mas também sou destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutivo também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais.

5 Clariceanos:

Sarah Vervloet. disse...

Palavras de um doce desespero. As que definem um momento que passamos pelo menos uma vez na vida. E existem aqueles que tem a vida desse momento.

Abraço.

ardiiida_ disse...

Li no blog que para receber as atualizações, bastava deixar o e-mail aqui. E como este é o blog mais maravilhoso de todos, deixarei-o aqui com muita ansiedade de receber atualizações, que, sem dúvida alguma, serão MARAVILHOSAS! parabéns pelo blog!

> ardiiida@gmail.com
um beijo!

patife não pooooooooode disse...

Simplesmente perfeito.

jonathan disse...

Isso é mesmo de Clarice? Está em qual livro ou entrevista dela?

Blog Clarice Lispector disse...

Jonathan, só publicamos o que é de Clarice. "Deus" é de 1968, presente em "A Descoberta do Mundo" e também em "Água Viva".